quinta-feira, 5 de Maio de 2011

O Cachimbo de Magritte mudou de casa

Poucos se terão dado conta, mas no Memorando de Entendimento com a Troika, por exigência expressa do FMI, uma das medidas contratualizadas e calendarizadas envolvia o Cachimbo. Pois, também ficámos surpreendidos. Se não acreditam vejam as letras miudinhas do Memo, naquela parte entre a educação e o património cultural. Apesar de não termos sido formalmente consultados, depois de uma longa discussão interna e de uma votação de braço no ar, resolvemos dar o nosso contributo para a salvação de Portugal, "uma teimosia viável", apesar da bancarrota Sócrates que havemos de conseguir ultrapassar. É mesmo verdade, camaradas: a partir de hoje, aceitando um oportuno convite, mudámos de armas e bagagens para esta morada abaixo indicada. Passem palavra, caros leitores. Até já, camaradas.

Cachimbodemagritte.com

Cachimbo final

Pablo Picasso, Esboço de cartaz para o restaurante "Els Quatre Gats", 1902.

Triste como tudo

Um dia, Manuela Ferreira Leite, ironicamente - tratando-se a ironia de um acto elucutório inteligente, dirigido a pessoas inteligentes, ao extraviar-se nos media acabou por ser bárbara e alarvemente treslido -, afirmou que seis meses de suspensão da democracia permitiriam resolver os problemas do país. No que Manuela Ferreira Leite demonstrou apenas um optimismo incompreensível, e não apenas em relação à boa-fé ou inteligência dos profissionais da mediação. Sejamos honestos connosco próprios: a democracia está suspensa. Portugal não manda em Portugal, e até seria saudável que o admitíssemos. Está suspensa e o seu restabelecimento é sine die. Compreende-se, por outro lado, a razão por que é quase forçoso, quase natural, continuar a fazer de conta que Portugal manda em Portugal. Mas seis meses? Seis? Nenhuma notícia, nenhuma declaração dos responsáveis governamentais, nenhum sinal permite supor que a fantasia e a alienação tenham regredido. A oposição é o que é. E não há regime de cuidados intensivos, meramente paliativos, que permitam virar todos os cabos que há que virar. É do fado?

O Sequestro

Pedro Lomba, "O Sequestro", no Público.

Portugal tem neste momento um ministro cativo, sequestrado. Chama-se Fernando Teixeira dos Santos, é professor de economia e ainda exerce funções como ministro das Finanças. Este sequestro ministerial é a chave para perceber o exacto ponto onde nos encontramos.
Teixeira dos Santos esteve desaparecido praticamente todo o mês de Abril. Desde o dia 8 que não lhe ouvimos uma palavra. Na última vez que falou, em entrevista ao Jornal de Negócios, foi para precipitar o pedido de ajuda externa ao FEEF/FMI consumando um facto contra o qual o primeiro-ministro se vinha a opôr há meses. Desde aí escondeu-se, ou melhor, foi escondido. Faltou a tudo o que fosse cerimónia pública. Faltou até ao 25 de Abril em Belém. Contactos com jornalistas, nem pensar.
Há razões plausíveis para supor que o sequestrador de Teixeira dos Santos anda por aí, em liberdade. É um sujeito perigoso, com antecedentes perigosos. Chama-se José Pinto de Sousa, embora use José Sócrates.
O bacharel em Engenharia Técnica tem, é verdade, um forte motivo contra o sequestrado. Em Outubro de 2010, Teixeira dos Santos avisou que, se os juros passassem os 7%, seria impossível não recorrer ao FMI. Em Novembro, Dezembro, Janeiro, os juros da dívida ultrapassaram a barreira dos 7%. Em Março, quando Sócrates e Teixeira dos Santos vão a Berlim conferenciar com Ângela Merkel, os juros da dívida atingem os 7,4%.
O país andou, portanto, durante meses a brincar aos juros insustentáveis, só porque Sócrates não queria admitir que tinha falhado. Em Abril as finanças estoiram. Perante o buraco de tesouraria que já comprometia o pagamento dos salários das Forças Armadas e a pressão pública e desesperada dos bancos, Teixeira dos Santos decide finalmente agir contra o chefe e antecipa, sem avisar Sócrates, o pedido de ajuda.
A partir daí Teixeira dos Santos ficou impedido de falar e é atirado borda fora das listas para deputados. Ao antecipar o pedido de ajuda, admitiu que o país estava em bancarrota e deixou o chefe descalço. Pior, sabendo-se que o fez contra a vontade imperturbável do chefe dias antes de os pagamentos às forças armadas se atrasarem, revela que Sócrates estava determinado (essa sua grande qualidade) a sacrificar o país em nome da sua estratégia eleitoral. Tudo o que dissesse seria agora fatalmente comprometedor para Sócrates. Teixeira dos Santos acabou sequestrado para não poder ser colocado sobre perguntas sobre o revelador episódio.

E chegamos à comunicação de terça-feira, no dia do acordo com a Troika. Perante a pressão crescente da teoria do sequestro, Sócrates aproveita a oportunidade para tranquilizar os inquietos com o desaparecimento do ministro. Foi falsa prova de vida. O ministro sequestrado aparece ao lado de José Sócrates. Cavernoso, lânguido olhando muda e inexpressivamente para as câmaras. Não houve perguntas. Não lhe ouvimos uma palavra. Sócrates exibiu a sua presa, como um animal empalhado.
Sabemos que na sua aparição de hoje Teixeira dos Santos irá falar, mas será em regime de liberdade controlada.
Enquanto Sócrates, com um júbilo ofensivo, descrevia aquilo que o acordo com a Troika não tem: “não mexe no subsídio de férias, nem de Natal, nem no salário mínimo”, “mantém a escola pública” e “não é precisa revisão constitucional”, alguém deveria lembrar a esta extraordinária figura que há, de facto, um ponto que não está no acordo.
Ninguém nos vai ressarcir dos juros proibitivos e criminosos que Sócrates nos forçou a pagar todo este tempo em que protelou um pedido de ajuda, para no fim acabarmos com um programa de governo detalhado e liberal imposto de fora para os próximos anos, que não é o PECIV e que não só nos transforma num protectorado como impõe muito daquilo que o governo disse que jamais faria.
Mas Sócrates não vê meios nem fins. É capaz de sacrificar um país inteiro aos seus calendários e às suas manipulações.
A verdade é que não foi só Teixeira dos Santos o único sequestrado. Fomos todos.

Último aviso

How is this even possible?

O Pedro Magalhães escreve:
"(...)José Sócrates, the leader of the Portuguese Socialist Party (PS), achieved something that his predecessors had pursued in vain throughout more than three decades of democratic rule: an absolute single-party majority for the Socialists. Six years have now elapsed since that historic achievement. Unemployment has risen from 7.6% to 11.1%. The economy has grown at a meager average rate of 0.6% per year. Consumer confidence has reached the lowest level ever recorded. Central government debt represents now 93% of GDP, up from 71% in 2005. And the budget deficits in 2009 and 2010 were close to -10% of GDP, the largest in the last 160 years.(...).
A look at several short-term correlates of electoral behavior in the recent polls would certainly increase one’s near certainty about an incoming electoral landslide: PM Sócrates’s approval ratings are extremely low; close to 80% of the electorate evaluates the government’s performance as “bad” or “very bad”; and more than 90% describe the situation of the economy in the same way.
Therefore, what follows will probably come as a surprise: in fact, nothing like an electoral landslide is anticipated for the coming June election (...)How is this even possible? (...)"
A ler.

Por email

Dizem os americanos:
"We have Barack Obama, Stevie Wonder, Bob Hope, and Johnny Cash."

Respondem os portugueses:
"We have José Socrates, no wonder, no hope, and no cash."

Somos todos parvos?

É incrível, mas faz-se. O Primeiro-Ministro faz uma declaração ao País anunciando que a catástrofe que os seus rapazes inventaram não ocorrerá. Sabia que este bluff iria ser desmentido poucos dias depois, como foi hoje na conferência de imprensa da troika. Ele sabia disso. Não podia deixar de saber. E ainda assim fê-lo.

Vistas bem as coisas, a estratégia do Governo e do PS é esta há já muito tempo. Nunca admitir erros, mesmo que estes sejam demonstrados poucas horas a seguir. Nunca reconhecer contradições, mesmo que estas sejam exibidas dois dias mais tarde. Afirmar coisas implausíveis e impossíveis de realizar, mesmo que a farsa caia na semana seguinte.

Esta estratégia de comunicação não reconhece limites. Não reconhece os limites impostos pela racionalidade e pela eficácia da refutação e da denúncia pública. E sobretudo toma-nos a todos por marionetas do poder. Toma-nos a todos por parvos.

Medidas não teriam sido mais leves se pedido tivesse sido feito mais cedo

disse o deputado socialista. Como é óbvio, João Galamba não podia ter dito outra coisa. Caso contrário, estaria a admitir que o Governo fez mal em esperar que a troika reconhecesse erros nos programas na Irlanda e na Grécia. Dizer outra coisa que não isto implicava um ‘mea culpa’ do Governo, coisa que, como é evidente, não querem, nem podem assumir. Se calhar, estavam à espera que Galamba dissesse: não, o governo português não percebeu que a resposta europeia não estava a ser um desastre e foi muito incompetente em esperar que eles mudassem de atitude.

Chumbo do PECIV fez descer os juros em 5%

FMI vai exigir 3,25% nos primeiros três anos.

Como diria Sócrates, ainda vamos ter saudades do PECIV.

O plano e a democracia representativa

Alguém avise por favor o senhor Presidente da República que pode e deve, nos termos do disposto no nº4 do artigo 174º da Constituição, convocar extraordinariamente a Assembleia da República mesmo após a sua dissolução. Se o PEC 4 foi analisado e debatido no Parlamento, e uma vez que o cumprimento do plano apresentado pela troika envolve matérias da reserva absoluta da Assembleia da República, estranho seria que o Parlamento ficasse à margem do processo.

Um bom acordo ?

Portugal pediu um empréstimo. Sabemos quanto nos vão emprestar e sabemos parte das condições acessórias a cumprir. Ignoramos ainda a contrapartida principal, os juros, mas a transacção já leva o rótulo de bom acordo... Até pode ser que sim, mas esta precipitação irracional não deixa de ter o seu significado

Lenocínio

Há quem contribua para (e se delicie com) a prostituição da dignidade cívica dos concidadãos. ("As pessoas querem lá saber se... As pessoas querem é saber se...") Por exemplo, este aqui

Não é um exercício difícil transpor este género de misérias para outros espaços e outros tempos. É só preencher as reticências.

Love and Trust

video

Os "sucessos" que o "sucesso" não disfarça (2)

Foi há menos de 1 ano que a histeria socialista ocupou as televisões e os jornais exultando as golden shares. Era a PT, era a VIVO. Depois, veio a Oi, e este pobre País lá teve de se conformar com mais um "sucesso". (Por falar nisso, quantos dos jornalistas, comentadores e outros especialistas que nessa altura elogiaram tão prodigiosa operação - ficar com a Oi - se pronunciaram desde que se conhece realmente o estado daquela empresa?)

Agora, com mais um grande "sucesso" socialista no "bom acordo" firmado com a troika, as golden shares foram desta para melhor. Acabam, de uma vez por todas.

Em que ficamos, eram boas na altura, e já não prestam agora? Ou vice-versa? Ou é aquilo que a propaganda do momento ditar?

2+2=4, lembram-se?


Grande Finale (127)




Das Wachsfigurenkabinett,


Paul Leni, Leo Birinsky, 1924

quarta-feira, 4 de Maio de 2011

O veneno de Sócrates

Mr Sócrates says that the fact that the EU and the IMF have allowed more time for deficit reduction than before shows that they recognise that Portugal's debt crisis is not so bad. Yet some economists said that the deficit-reduction effort was greater because of upward revisions to the 2010 deficit estimate. The bail-out commits Portugal to cutting the deficit to 3% of GDP by 2013, a year later than previously planned. “This may sound like a significant easing of policy, but it really just reflects the fact that the budget deficit for 2010 has twice been revised upwards,” notes Anders Matzen, from Nordea Bank.

Ler mais ali.

Grandeza

Hoje, às 20h37, a TVI transmitia em directo mais uma arenga do primeiro-ministro - em Leiria, creio. Com aquela mãozinha direita batendo o vazio, o homem queixava-se da falta de "grandeza" [sic] de "uns" que não reconhecem o sucesso do governo na negociação "com o FMI".



20h42, começa um directo na RTP, a partir da mesma arenga. Sócrates repete ipsis verbis o que tinha esbracejado minutos antes. Alguém lhe terá feito um sinalzinho: é a RTP.



É a esta "retórica" óbvia e vulgar a céu aberto que chamam profissionalismo, não é?...

Sócrates e os funcionários públicos

Confio que a Marina Costa Lobo tenha sido mais prudente nas suas declarações do que aquilo que aparece transcrito e inferido pelo jornalista, mas o título ficou lá: «PS pode beneficiar do facto dos "funcionários públicos não serem os mais castigados"». Seja como for, os funcionários públicos confiarão no PS só se forem desmiolados. O Primeiro-Ministro julga que com a suas negativas - "não vai haver a fantasia x, não vai haver a fantasia y, não vai haver a fantasia z" - consegue esconder o jogo. Julga que por não renovar os cortes salariais que impôs em Janeiro (a memória nacional é curta, bem sei, mas só passaram 5 meses), nem efectuar despedimentos em massa, consegue reconciliar-se com quem já lhe deu tantas alegrias no passado.

No entanto, quando se lê o memorando de entendimento troika/Governo que por aí circula, percebe-se que o funcionário público não tem razões para "euforias", para citar o maleável Assis. Exemplos? A ADSE vai sofrer a bom sofrer durante anos consecutivos, o que quer dizer que o funcionário público pagará cada vez mais pelos seus cuidados de saúde. O congelamento de salários continuará, evidentemente, o que significará perda recorrente de poder de compra. As promoções também acabam. As pensões a partir de 1500 euros diminuirão e o resto delas ficarão congeladas. Além disso, temos também várias ordens para diminuir cargos de direcção e de chefia na administração central e na administração local e regional. Contam fazê-lo apenas com uma política de não-contratação de pessoal. Mas também se fala ali no encerramento de instituições públicas e quasi-públicas - as tais fundações, institutos e outras coisas que o PS gostou tanto de criar. Vamos ver como serão encerradas sem despedir funcionários ou correr com os avençados. Ah, e não vai ser preciso esperar muito tempo para ver o que acontecerá nas empresas públicas em termos de (perdoem-me a rendição à língua de pau da malta que anda nestas coisas) "recursos humanos". E será preciso dizer que o funcionário público também vai pagar mais IVA e uma factura de electricidade mais cara?

O funcionário público não é o tolo manipulável que os profissionais de comunicação política do Governo supõem. Como qualquer outra pessoa, pensa pela própria cabeça. Sabe, pois, quem o trouxe até aqui e ao resto que lhe está reservado. O mesmo vale para o trabalhador do sector privado, claro.

Pelos vistos ainda não abriram o armário dos esqueletos.

The Government will:
[...]

3.18. Perform with the technical assistance from EC and the IMF, an initial assessment of at least the 20 most significant PPP contracts, including the major Estradas de Portugal PPPs, covering a wide range of sectors. [Q3-2011]

Fonte: Memorandum of Understanding on Specific Economic Policy Conditionality, 3 May 2011 13:40

Da Série: Frases que Impõem Respeito ou Nem com Teleponto lá vai

'That is a double proud for me'

Descubra as Diferenças



Os "sucessos" que o "sucesso" não disfarça

Economia vai contrair 2% este ano
A actividade económica portuguesa vai cair 2% este ano. Uma recessão bastante mais grave do que a prevista pelo Governo no PEC IV e que era de 0,9%

O Presidente da Junta.



Sempre a descer

Em 2007, estávamos em 8º lugar no ranking de liberdade de imprensa dos Repórteres sem Fronteiras. Em 2008, caímos para o 16º lugar, em 2009, para o 30º lugar e, em 2010, para o 40º lugar. Foram, em três anos, trinta e duas posições sempre a descer. Nada disto começou, portanto, ontem, pelo que ninguém pode hoje mostrar-se surpreendido pelo estado a que chegámos. Como tal, não há desculpa para quem, avisado, continua a cometer os erros de sempre.

Frank Sinatra: "Young At Heart"

Quem paga, manda

Manuela Ferreira Leite já tinha avisado: "Quem paga, manda". O memorando da troika é mais que um memorando, é um conjunto de ordens precisas, com calendarização detalhada, das medidas que o governo tem de adoptar. Sempre com a recordação de que a troika estará cá até 2014 a fiscalizar e a monitorizar aquilo que as nossas instituições democráticas não conseguiram fiscalizar e monitorizar porque José Sócrates nunca o permitiu. Portugal é hoje um protectorado.

«Não podemos entrar em clima de euforia»

Câmara, Luzes, Acção... e desgraça

Como diz aqui o Fernando, não há "boas notícias", não há "bons acordos". Isso é uma vez mais o resultado retorcido da propaganda e do embuste. Parece que continuamos a não querer confrontar os nossos problemas. A intervenção externa é a garantia de que nas próximas semanas há dinheiro para pagar salários e serviços públicos. Esta situação não se resolve com passes de mágica, nem com "acordos" de negociação de pacotes de emergência. Porque é disso que estamos a falar: de uma emergência. Os senhores que proclamam a obtenção de "bons acordos" puseram-nos diante da estrita necessidade de fazer "acordos". E mais. Criaram-nos problemas que só poderão ser superados ao longo dos anos, provavelmente de muitos anos.

O debate político em Portugal está reduzido a isto: à medição do "sucesso" de campanhas de promoção de produtos televisivos. Isso é (uma grande) parte do nosso problema, e por cada "sucesso" destes afundamo-nos ainda mais no nosso lamaçal.


Um embuste claro como a água.

Quando ontem ouvi as "boas notícias" dadas pelo primeiro-ministro Sócrates, a propósito do "pré-acordo" (?) para o resgate financeiro de Portugal a "celebrar" com a Troika, percebi pelo menos três coisas. Que foi o Governo que encheu os jornalistas e os media com notícias mentirosas sobre aquelas que seriam algumas medidas "muito dolorosas" exigidas por BCE, FMI e Comissão Europeia a troco da concessão da tão necessária "ajuda" financeira. Que muitos jornalistas, ao transmiti-las, foram enganados, fizeram de idiotas úteis ou aceitaram, de livre vontade, enganar os portugueses. Por fim, percebi que a razão para tamanho embuste (a colocação diariamente nos media de falsas notícias sobre os termos do regate), foi muito clara e simples: proporcionar a Sócrates, ontem à noite pouco depois das oito e meia, uma vitória política com alcance imprevisível.

De joelhos

«NENHUM jornal foi autorizado ontem a fazer fotografias da importante comunicação ao país do primeiro-ministro José Sócrates. A decisão foi, mais uma vez, só haver fotografias feitas pelo fotógrafo oficial do gabinete do primeiro-ministro, Ricardo Oliveira. Decisão inaceitável a todos os títulos, apesar de nenhum jornal se atrever hoje a referi-la. Alguns jornais escondem mesmo tratar-se de fotos oficiais – o Público assina a foto como sendo da AFP, o Correio da Manhã como sendo da Lusa. Uma “conferência de imprensa” (como lhe chamou o primeiro-ministro) sem fotógrafos (e já agora sem perguntas) é uma conferência de imprensa? Ou apenas a confirmação de que o jornalismo português está de joelhos?»

Sobre as Conferências do Estoril







Blogue a acompanhar por estes dias.

Alguém tem o telefone da 'troika'?

Liguei para as páginas amarelas a perguntar mas disseram que não tinham.

terça-feira, 3 de Maio de 2011

Participação na RR

A minha crónica desta semana na RR: "Responsabilidade e Participação"

Perante o desapontamento que os portugueses sentem em relação ao sistema político tornou-se consensual ver no aumento da participação política o princípio da cura do mal. As recomendações e as exortações à participação sucedem-se, e lamenta-se o “sistema” por desencorajá-la. Os especialistas revelam o mal-estar apontando para as taxas de abstenção eleitoral e para estudos de opinião que consecutivamente mostram o afastamento da generalidade das pessoas face a instituições e processos políticos que contam com o que não têm e, o que é mais grave, não permitem.
Mas parece-me quimérico supor num movimento hipotético de ressurgimento da participação política a salvação da democracia nacional. Mais participação institucionalizada nos partidos? Talvez com isso se conseguisse estender a influência já excessiva que os partidos têm na sociedade portuguesa. Mais participação política fora dos partidos? Isso trataria de acentuar a politização já excessiva das nossas práticas sociais. Enquanto não for muito mais clara a distinção entre o Estado e a sociedade, o aumento da participação por estas duas vias produzirá resultados bem perversos. Até porque o que talvez frustre os portugueses seja a carência, não de participação, mas de responsabilidade no “sistema”.
É preciso que os portugueses participem mais, de facto, mas nas pequenas coisas, nos pequenos grupos, nas pequenas associações e agremiações, que constituem o tecido institucional de uma sociedade livre, enérgica e vitalizada. É preciso que dêem mais do seu tempo, da sua vontade, do seu dinheiro, dos seus dotes e talentos, para tudo o que envolve, afinal, o quotidiano das nossas vidas.

Sócrates loves FMI

«Paga o que tiver a pagar»

Sócrates, o defensor da “escola pública”, nunca aceitou que esta fosse mais do que a escola do Estado. Quando no país se discutiam os contratos de associação, Sócrates foi claro ao diabolizar o financiamento do Estado a escolas privadas para que estas prestassem um serviço público, afirmando então que “o Estado não vai financiar o lucro das escolas privadas!” E porque o que estava em causa era a liberdade de escolha dos pais, Sócrates defendeu ainda que “quem quiser ir para o privado vai e paga o que tiver a pagar”.
Assim, o que Sócrates exige das famílias sem orçamento para escolher a escola dos seus filhos é que acreditem (pois não têm outro remédio!) que a escola pública do seu bairro é a que melhor serve os seus objectivos para a educação deles. Que ele, porque tem meios para escolher, tenha uma opinião diferente, quanto à defesa dos melhores interesses para a educação dos seus filhos, não é de todo irrelevante. Porque retira a possibilidade de escolha aos portugueses, mas reconhece-a necessária para si. E porque promove uma reprodução social, fechando aos mais desfavorecidos o acesso a uma educação melhor e garantindo que esta apenas estará acessível aos que a puderem pagar.
Não é, naturalmente, a partir desta incoerência que avaliaremos as políticas educativas dos governos Sócrates, pois há muito por onde pegar. Mas, como aqui foi bem escrito pelo Rodrigo, não só a incoerência é relevante como nada nesta questão fere os seus direitos.

Contra factos...

Sabem que eu sou sempre muito crítico de José Sócrates mas, depois de ouvir a conferência de imprensa de hoje, tenho que reconhecer que conseguimos boas condições para o dinheiro que o FMI nos veio pedir emprestado...

A única coisa que está completamente errada no Ocidente é pensar que este tipo de alucinação é um caso de alienação sem representatividade

É que pura e simplesmente, por mais que custe a um ocidental imaginar o contrário, a paranoia (sem aspas nenhumas) anti-isrealita tem extensíssimo curso nas mentalidades locais. Peretence às massas, depois de ter sido metodicamente cultivada, anos a fio, pelos governos, mais ou menos moderados, pelas organizações políticas mais ou menos radicais em todo - sublinho - todo o mundo islâmico. Um desassombrado em relação a Israel, mesmo que crítico, mas desassombrado, é uma raridade. No Irão as coisas são mais exageradas. A diferença de atitude é de grau: não de espécie. Parece uma anedota. Mas o riso que a citação e o link que se segue podem sugerir é produto de uma imensa distância em relação a estas realidades mentais, aparentemente intratáveis. Aqui ficam as declarações do director-adjunto do Comité de Segurança Nacional e Política Externa iraniano:

Bin Laden, whom all Muslim nations despised, was simply a stooge in the hands of the Zionist regime [of Israel] to show a violent image of Islam following the 9/11 attacks. Boas leituras.

Não há boas escolas sem bons professores

DEFENDE QUE UM DOS SEGREDOS DO SUCESSO FINLANDÊS É A QUALIDADE DO ENSINO PRIMÁRIO. POR QUE É QUE OS PROFESSORES DA PRIMÁRIA TÊM TANTA POPULARIDADE?
Tem muito a ver com a nossa história. A Finlândia só é independente há 100 anos e os professores primários eram colocados por todo o país para espalhar a identidade nacional. É umas razões que explicam uma popularidade tão alta. Ser professor primário é tão prestigiado como ser médico ou advogado: os pais querem que os filhos sejam professores primários e, quando perguntam aos miúdos que acabaram o secundário que carreira querem seguir, a profissão surge nos dois primeiros lugares. E muitos dos que têm essa ambição não a conseguem alcançar, porque é muito difícil entrar para o curso.

A POPULARIDADE ESTENDE-SE AOS PROFESSORES DO SECUNDÁRIO?
Depende das áreas. No secundário, muitas vezes ir para professor não é uma primeira escolha, é um recurso, e isso tem reflexos na motivação dos professores e na aprendizagem.

POR QUE É QUE SER PROFESSOR PRIMÁRIO É TÃO APELATIVO?
Uma das coisas mais importantes é a autonomia, em que cada professor organiza o trabalho como entende, por isso a questão da avaliação é muito sensível. As aulas estão muito fechadas sobre si mesmas, o que é uma força do sistema mas também uma fraqueza. Mas o facto é que os pais confiam nos professores e nas escolas.

[Excerto da entrevista a Jouni Välijärvi, director do Instituto Finlandês para a Investigação em Educação, no Público (negritos meus)]

Parece uma evidência afirmar que não pode haver boas escolas sem bons professores, embora por cá haja ainda muita gente que não o compreendeu, optando por reduzir o investimento na Educação à construção de paredes e “à climatização de iglos”. Do excerto acima, gostaria de salientar duas características do sistema finlandês e uma consequência, no que aos professores diz respeito.
Em primeiro lugar, os professores na Finlândia usufruem de autonomia para a escolha de metodologias lectivas e de estratégias para assegurar a aprendizagem dos seus alunos. E, porque a autonomia não pode existir sem reforço de autoridade, a Direcção da Escola existe para apoiar os professores nas suas escolhas e dar-lhes todos os meios que considerem necessários. É, nesse sentido, uma carreira estimulante, além de bem remunerada: a diferença entre o rendimento de um novo professor e o de um professor com 15 anos de experiência é curta.
Em segundo lugar, quando se diz que é preciso bons professores, não está em causa apenas o dar condições aos professores para exercerem a sua profissão (essa é uma pré-condição, e que muita falta faz em Portugal). Na Finlândia, o acesso à profissão de professor não é fácil, i.e. está apenas ao alcance dos melhores. Ou seja, não é professor quem quer, mas quem consegue os melhores desempenhos na universidade, um pouco à imagem do que acontece, em Portugal, no acesso ao curso de Medicina, embora numa fase posterior. Ora, estas duas características produzem uma consequência: os professores têm prestígio social. Pela responsabilidade que têm e pelo facto de serem uma classe composta pelos melhores do país.
Julgo que a experiência finlandesa poderia servir de base para a reflexão sobre a situação dos professores em Portugal, que se queixam, nem sempre com razão, da sua situação profissional. Por um lado, há que reconhecer que não têm a autonomia que precisam (nem as escolas a têm, pelo que muitas vezes não conseguem proteger os seus professores), e que isso afecta o potencial do seu trabalho. Por outro lado, há que admitir que muitos dos nossos actuais professores entraram para o ensino porque não tinham para onde ir. Temos bons e maus professores, e tenho a certeza que na Finlândia também será assim. O que difere nos dois países é a proporção: nós não fixámos um padrão de exigência à altura da responsabilidade do cargo, e eles sim, pelo que certamente terão menos professores maus do que nós. Um detalhe que faz toda a diferença quando se discute a perda do prestígio social dos professores em Portugal.

"Fala" ao País às 20,30h (no intervalo do Barcelona - Real de Madrid)

Nunca pensei fazer isto



Mas John Kerry merece. Aquele que foi derrotado, e muito bem, por George W. Bush, merece a citação por estas palavras que proferiu sobre a morte de Bin Laden.

Inimigo

Sou dos que ontem festejou o desaparecimento de Bin Laden, pelo que concordo com o que, a propósito, escreve o Henrique Burnay. Mas julgo também que o facto merece uma reflexão, mesmo que curta, acerca da moralização do inimigo, perceptível pela celebração da sua morte. A um inimigo político, i.e. assim designado por critérios políticos (porque constitui uma ameaça), reconhece-se uma condição de igualdade (na sua dignidade), que faz do combate com esse inimigo um duelo entre iguais. Nunca foi esse o caso com Osama Bin Laden e a Al-Qaeda, não só porque eles fizeram do terrorismo islâmico uma Guerra Santa, mas sobretudo porque nós --e aqui refiro-me especialmente aos EUA-- respondemos com uma moralização do inimigo, através do “eixo do mal”. Com ou sem fundamentos religiosos, o conflito foi dominado, de ambos os lados, por uma certa visão de Bem e de Mal. Por isso, a partir de um certo momento, Bin Laden foi inimigo porque existia e só pela morte deixaria de o ser. Agora que aconteceu, talvez seja o momento ideal para se acabar com essa narrativa.

Obama a assistir em directo à morte de Ossama
















A fotografia é impressionante pelo contexto: o Presidente dos Estados Unidos assiste em "real time" à operação militar que levou à morte de Ossama Bin Laden. Concordo com o Paulo Marcelo quanto a festejar a morte de seja quem for, mas a guerra contra o terrorismo obteve uma vitória de um enorme simbolismo com o desaparecimento do líder da Al Qaeda. E, nos tempos mediáticos que correm, o simbólico pode vencer batalhas.

Ainda a morte de Bin Laden

Eu sei que o mundo está mais seguro sem aquele senhor de barbas a inspirar ataques terroristas contra o Ocidente. Sim, conheço as vítimas da tragédia do 11 de Setembro e os dez anos que demorou apanhar Bin Laden. E tenho dúvidas se podia ser de outra forma, mas não deixa de ser estranho observar os festejos pela morte de um homem, mesmo que esse homem tenha sido um terrorista. Há notícias boas que simplesmente não se comemoram.

Na minha Rua


Este ano a Rua Direita tem mais movimento e está mais plural. Este ano a Rua Direita espelha a diversidade de muitos que, mesmo não sendo do CDS, entendem que num momento excepcional se impõe um voto excepcional. Este ano os que a frequentam chegaram à Rua Direita por muitas vias e mesmo não concordando com tudo o que o CDS defende, acreditam que este é o momento. Este ano a minha Rua mais parece a Avenida da Liberdade. Este ano ainda voltamos a encher a Alameda.

Antes vazio

Sobre os candidatos, a campanha e os programas...

"(...) nas actuais circunstâncias, os programas vêem o seu protagonismo ainda mais reduzido.
De facto, ao invés de um leque alargado de opções políticas, estes Programas serão uma espécie de escolha múltipla entre as opções alternativas que os financiadores externos imporão como contrapartida.
E, sendo assim, é no mínimo um acto de honestidade política não avançar com qualquer programa formal antes de ser conhecido o resultado do trabalho e das negociações com a Troika externa.
Ao fazer de conta, como o PS fez na passada semana, que nada disso importa para os anos que virão, José Sócrates apenas está a ser coerente e a dizer aos Portugueses que nada do que ali está escrito deve ser tomado a sério, tal como sucedeu em 2005 e 2009.
Por isso, cumpre-me rejeitar as críticas de quem destacou que cerca de 30% das páginas do Programa Eleitoral do PS (entre títulos e separadores) estão em branco. Afinal, essas são as mais verdadeiras desse documento…"

O governo da 'troika'


Vamos conhecer amanhã o que nos espera nos próximos anos. Mudanças profundas em áreas como a Justiça, administração pública, arrendamento, sistema fiscal, transportes, leis laborais. Ou seja: aquelas reformas estruturais que nos diziam estar feitas (lembram-se?), mas que vamos ter de fazer agora da pior forma, qual “supositório” rápido imposto por tecnocratas estrangeiros, com prejuízo da nossa soberania e orgulho nacionais.
Com o cobrador do fraque à porta, vale a pena notar as diferentes atitudes dos partidos. A extrema-esquerda colocou-se de fora. Prefere contestar na rua do que negociar à porta fechada nos gabinetes do Terreiro do Paço. Uma atitude porventura ‘comunista’, mas muito pouco democrática, que deixa quase 20% do eleitorado sem uma voz nas negociações. O PSD mantém-se à espera. Passos Coelho reafirmou que o seu programa eleitoral aguarda pelo “quadro macro económico” resultante das negociações em curso, mas não deixou de prometer que não fará despedimentos e mais cortes de salários.
Os socialistas são mais previsíveis. Preferem ignorar as medidas de austeridade por eles próprios negociadas nos últimos dias. Escondem o ministro das Finanças e apresentam um programa eleitoral irrealista, com um défice desactualizado e que omite os pontos apresentados por José Sócrates, no PEC IV, como sendo inevitáveis: a reforma laboral e o congelamento de salários até 2013. Mas por mais que se procure esconder, a verdade é que o próximo governo terá um sotaque estrangeiro. Os próximos orçamentos e programas serão decididos por quem nos empresta dinheiro.

[versão integral no Diário Económico]

segunda-feira, 2 de Maio de 2011

E ninguém faz nada? Claro que na

É uma vergonha e é assustador (fico-me por aqui quanto aos adjectivos) o relato que Ricardo Noronha, no Vias de Facto, faz sobre o comportamento da polícia na fase final daquilo que seria uma espécie de manifestação "extremista", porém sem incidentes de qualquer espécie, que decorreu em Setúbal no passado 1 de Maio.
Mas se aquilo que se passou, e tal como fica contado, é uma vergonha e uma desgraça em si mesmo, maior vergonha e desgraça será o facto de se saber que nenhuma responsabilidade será apurada e nenhum culpado será encontrado e punido. Ou seja, vivemos na selva e não é só por causa da dívida, do défice ou do desemprego. É por tudo (porque aquilo que não é não chega para nada).

A noiva de Drácula

Os dias de hoje são os dias em que é esse mesmo PM que foi varrido na AR sem que o PSD tivesse uma única ideia alternativa, uma única proposta de convergência, uma única resposta aos pedidos de diálogo, que está a negociar a ajuda externa a Portugal, discreto em cada reunião, com o interesse nacional evidenciado em cada gesto. Ironias do destino.

Esta subjugação já não é psicótica. A devoção evangélico-histérica é barreira ultrapassada. Há ali dentada no pescoço (política), envenenamento ectoplásmico. A intensidade daquela entrega idólatra transcende o terreno. Há ali obra de Nosferatu. Para evitar más leituras, esclareço que este comentário é estritamente político e intelectual.

Combate de Blogs


Para quem não pôde ver o último Combate de Blogs, comigo, com o Álvaro Santos Pereira e com o Paulo Coimbra, pode vê-lo aqui.

A face do Hamas


Israel tem razão quando afirma que a paz com o Hamas é impossível. Será que alguém acredita que é possível fazer a paz com quem chama "holy warrior" a um dos mais brutais inimigos da humanidade das últimas décadas?

Ainda bem que o PS defende o estado social

Abono de Família foi retirado a 645 mil crianças em seis meses.

Aviso à navegação

Como disse neste meu post sobre a morte de Bin Laden, Obama esteve muito bem e fez o que lhe competia. Liderou de forma excepcional este processo que culminou na eliminação do número um da Al-Qaeda. Mas é extemporâneo pensar que a sua presidência está salva e que tem a reeleição garantida. Nas próximas semanas a sua popularidade vai subir, mas se os problemas persistirem, e tenho poucas dúvidas que vão continuar, vai voltar a descer. Ainda faltam 18 meses para as eleições, e ninguém reelege um Presidente por um sucesso deste género. Também pensaram o mesmo sobre George H. Bush, quando venceu a primeira guerra do golfo e depois foi o que se viu. E não foi por George W. Bush ter capturado Sadam Hussein que foi reeleito. Isso nem sequer esteve nas cogitações do povo americano quando lhe deu a vitória em 2004. É preciso ter calma neste tipo de argumentação.

A troika do nosso descontentamento

A palavra é infeliz. Nos tempos estalinistas, as ‘troikas’ eram comités com três membros que perseguiam implacavelmente os dissidentes políticos soviéticos. Apesar dos tristes antecedentes, a palavra entrou no nosso dicionário político. Não há dia em que não se fale da nova ‘troika’ instalada no Terreiro do Paço, de onde não vai sair nos próximos anos. Vamos conhecer amanhã as medidas de ‘austeridade’ -outra palavra que entrou no jargão político- cozinhadas nas últimas semanas. A contrapartida do empréstimo de 80 milhões que precisamos, como pão para a boca, para pagar salários e pensões no mês de Junho. O preço a pagar pela incompetência que nos conduziu à bancarrota Sócrates.

Morto

Quando George W. Bush disse que Osama Bin Laden era procurado "Morto ou Vivo", muitos criticaram o Presidente americano por ter utilizado essa frase. Felizmente Barack Obama não foi um deles, e hoje teve provavelmente o melhor dia da sua presidência, com o anúncio da morte de Bin Laden nos arredores de Islamabad, no Paquistão. Uma excelente notícia para os Estados Unidos e para o mundo.